Data de Publicação: 6 de julho de 2006
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) apresenta, a partir de hoje (6), aos dirigentes dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) e chefes das assessorias de saúde indígena das Coordenações Regionais, as diretrizes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) Indígena. Os dirigentes estarão reunidos no Hotel Eron, em Brasília, a partir das 9h.
A abertura do evento será feita pelo presidente da Funasa, Paulo Lustosa, e pelo presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Francisco Menezes.
Após um ano de trabalho e da realização de oficinas, foram capacitados nove Dseis, que já estão aptos a enviar dados com regularidade sobre o estado nutricional das comunidades assistidas. São eles: Altamira (PA), Mato Grosso do Sul (MS), Xavante (MT), Xingu (MT), Guamá-Tocantins (PA), Vilhena (RO), Potyguara (PB), Pernambuco (PE), Alagoas e Sergipe (AL).
Segundo a gerente de Vigilância Nutricional da Funasa, Aline Caldas, a capacitação está avançando mais rapidamente do que o planejado. Pelo convênio com o Banco Mundial, deveriam ser capacitados dez distritos em quatro anos e a meta foi alcançada em apenas um ano.
Uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) garante o apoio técnico necessário para o alcance das metas estabelecidas. Além disso, está em fase final de elaboração um curso em vigilância alimentar e nutricional, que permitirá capacitar os profissionais dos Dseis. O curso será ministrado a distância, visando formar profissionais das equipes multidisciplinares (médicos, enfermeiros, odontólogos).
O conhecimento assimilado pelos profissionais poderá ser imediatamente aplicado no trabalho junto aos indígenas. "Eles estarão capacitados a avaliar e acompanhar o estado nutricional das comunidades e, com o tempo, teremos condições de formar um perfil nutricional dos povos indígenas, estudo que ainda não existe. O perfil será traçado de acordo com os indicadores ditados pelo Ministério da Saúde", diz o presidente da Funasa, Paulo Lustosa.
A idéia, de acordo com ele, é que, além de tratar as doenças existentes, possa-se também intervir nas causas para que os problemas não voltem a ocorrer. Por outro lado, será possível encaminhar aos programas sociais do governo, como Bolsa Família e Fome Zero, demandas para atendimento de populações indígenas com problemas nutricionais.
Dados da Funasa indicam que é grande a desnutrição entre as populações indígenas. Os estudos disponíveis mostram que, nas crianças, as carências nutricionais são problemas de grande relevância, especialmente a desnutrição energético-protéica e a anemia ferropriva. Por esta razão, o presidente Paulo Lustosa determinou a inclusão do Sisvan Indígena como parte integrante da Carteira de Projetos Estratégicos da fundação até o ano de 2015.
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